De Silvio Vasconcellos a 13 de Outubro de 2006 às 10:33
Quando eu fiz catorze anos, a primeira coisa que pensei foi em fazer um curso de datilografia. Para aqueles com menos de trinta anos vou explicar o que é para evitar a pergunta aos seus antepassados. Você fazia um curso onde tinha que ficar teclando uma aula toda: ASDFG, ASDFG... usando os cinco dedos da mão esquerda. Isso dava mais de uma hora e não era tecladinho leve, não. Tinha que fazer força para que ao bater (bater mesmo!) na tecla, a forçasse até o ponto de levantar uma peça, tipo alavanca, que atingia a folha de papel no rolo, com uma fita preta cheia de tinta à frente. No dia seguinte você voltava e apreendia algo muito interessante: HJKLÇ, HJKLÇ, com a outra mão, enquanto a esquerda ganhava uma folga para recuperar-se do esforço do dia anterior. Nos dias seguintes, as linhas do teclado iam alternando-se até que depois de um mês você era capaz de escrever uma carta com mais de 150 toques por minuto! Cada erro perdia dez toques! Um must! Quem conseguisse bater mais rápido conseguiria os melhores empregos, nos bancos, cartórios, escritórios, despachantes! Carreira garantida. Antes daquele tempo, não se trocava de emprego toda hora, portanto a promessa era aceitável.
Hoje os cursinhos de informática pipocam pelo mundo todo, para suprir a ineficiência da educação e da economia que não promove o acesso a computadores de forma ampla.
Minha filha, quando tinha oito anos, já digitava mais rápido que lia. Sem curso nenhum...
Sinais dos tempos... experimente usar todos os dedos: ASDFGHJKLÇ, o dedão faz o espaço.

Assinado:
Professor Tirano Sauro Rex
Cursinho de Datilografia via Internet


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