1. Vaia monumental
O colunista Ancelmo Goes informa que, no Sábado, na sessão de 18h40m do Cine Leblon 1, no Rio, que exibia o novo filme do espanhol Pedro Almodovar, “Abraços partidos”, quando apareceu na tela o trailer de “Lula, filho do Brasil”, de Fábio Barreto, houve uma vaia monumental.
2. É mais feio que chutar a santa ...
Em novembro, noticiei aqui: ao aparecer na tela de cinema um trailer da baboso-lacrimimejante “Lula, o Filho do Brasil”, que inaugura no país a estética que classifiquei de “Idealismo capitalista estato-lacrimejante”, constatei uma vaia generalizada no cinema, mas ainda um tanto surda. Percorreu a sala como uma onda: “uuuuuuuuuuu”. Ontem, publiquei uma notinha com uma informação de Ancelmo Gois: no cinema Leblon 1, no Rio, foi vaia pra valer, como aquela que Lula levou, certa feita, no Maracanâ. A ideia dos mitifiadores, mistificadores e mitômagos é que não se possa comer uma pipoca, em 2010, sem estar olhando para a cara de Lula. Haver quem vaie o seu filme é considerado uma verdadeira afronta, uma espécie de iconoclastia. É mais feio que chutar a santa. É assim? Então viva a vaia!
3. A melhor crítica ao filme é a do cara. Coisa de especialista!
Veio de Portugal, jardim a beira-mar plantado, a análise mais sucinta, clara, precisa, enfim definitiva, do filme O Filho do Brasil. Não podia ser diferente. Foi palavra de especialista, de quem conhece, sabe das coisas. Luis Inácio Lula da Silva: “A imagem não fala por si.” Ouso afirmar: vai virar expressão popular sempre que situação análoga projetar-se no cotidiano nacional. Mesmo que alguém diga “estamos convencidos que”, ainda que ” o fato concreto” se materialize diante dos olhos, haverá sempre “a imagem não fala por si.” ... É o cara.
4. Os aplausos finais nunca configuram uma ovação ...
Agora, sim, é o xis da questão. Assisti duas vezes a ‘Lula, o Filho do Brasil’. Em Brasília e ontem. Duas sessões para plateias especiais e, em nenhuma delas, o filme produziu arrebatamento. Os aplausos finais nunca configuram uma ovação. Nem ontem, em presença do próprio Lula. Estava longe e não pude ver se o presidente chorou, como foi sua reação. Por essas regras de protocolo, a segurança isolou a área em que estava, até que ele saísse da sala. A expectativa do produtor Luiz Carlos Barreto é de um megassucesso, mas para que isso ocorra ele terá de motivar muito mais o público. E se o filme fracassar? Existe essa possibilidade, não? Ninguém trabalha com ela, mas, cala-te boca. eu não surpreenderia, se isso acontecesse.
4. Nem o clube de puxa-saco se animou
Filme de Lula é "plantado" no Festival de Cinema de Brasília numa espécie de pré-estréia restrita, com direito a evento eleitoreiro e de gala. Estiveram presentes 1300 convidados; políticos, ministros e a primeira dama Marisa Letícia, entre outros. O devaneio lulesco um custo de produção de 16 milhões (nunca antes no cinema nacional). Mesmo para uma platéia montada (convidados óbvios de ministérios, estatais, além de empresas patrocinadoras ligadas a contratos com o governo federal,) e com todo empenho do gabinete presidencial a "Fabrica do Mito" mereceu reles aplausos tímidos ...O filme está programado para estrear em circuito comercial em janeiro de 2010.
5. O Filme é uma narrativa avessa ao programa do PT
Tirando a espuma, o filme Lula, o Filho do Brasil não passa de mais uma versão da fábula do indivíduo virtuoso que, arrostando a adversidade extrema, luta, persevera e triunfa montado apenas nos seus próprios esforços. Como cada um encontra aquilo que procura, o fiel extrai dessa fábula uma lição singela sobre a intervenção misteriosa da providência, enquanto o doutrinário liberal nela encontra o argumento clássico em defesa do princípio do mérito individual. Nenhuma das interpretações se amolda ao pensamento de esquerda, que se articula ao redor das noções de circunstância histórica e sujeito social. Lula, o Filho do Brasil é uma narrativa avessa ao programa do PT.
6. Cinema chapa-branca
Os bastidores do projeto revelam que as opções não foram meramente artísticas. Houve estreita colaboração entre os produtores do filme e a equipe de Lula. (…) Políticos próximos a Lula afirmam, teve influência decisiva na definição do esquema de captação de recursos. Antes da edição final, Barreto viajou para Brasília pelo menos duas vezes para exibir o filme a políticos próximos ao Planalto. A primeira sessão aconteceu há três meses. Participaram ministros, como Paulo Bernardo, do Planejamento, e Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, e deputados, como João Paulo Cunha e Ricardo Berzoini, da cúpula do PT. Os petistas, depois da exibição, acharam as músicas incidentais muito pouco dramáticas e sugeriram acrescentar músicas populares, que seriam mais facilmente assimiláveis - no que foram prontamente atendidos.
"O pior não é morrer de fome num deserto: é não ter o que comer na Terra Prometida" (José Lins do Rego)
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