
Quando as mulheres acordam...
Umas simplesmente silenciam, no máximo um monossílabo, isso quando são, por alguma razão, indagadas. Elas têm dúvidas, ainda não sabem se amam ou não amam, elas ainda guardam velhas heranças amorosas,nódoas nos lençóis e na blusa, tudo bem, amigo Vonnegut, coisas da vida. Algumas acordam assustadas, como se dissessem, “que besteira eu fiz, nunca mais eu bebo”, meu Deus. Outras te mandam embora antes da aurora, para dormir o sono dos justos, leve como a pena do ganso no travesseiro, o sono que livra de pesos na consciência e possíveis laços imediatos. Certíssimas, essas moças, sábias moças. Adoráveis aquelas que mantêm a posição de “conchinha”,... Estas são plácidas, jamais submissas. Existem aquelas que acordam e põem logo uma música, uma música de acordo com o clima. Se tem sol, rock´n´roll, se faz frio, jazz, algo cool... Se o dia está cinza, toca aquela, que diz assim, como não quer nada, uma porrada, “ah insensatez, que você fez, coração mais sem cuidado”...
Xico Sá / Imagem: John Everett Millais
"O pior não é morrer de fome num deserto: é não ter o que comer na Terra Prometida" (José Lins do Rego)
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