
A comemoração pelos 100 Anos de Frevo no carnaval pernambucano serviu apenas de pano de fundo ao circo armado pelo prefeito do Recife João Paulo (PT) e o governador do estado, o socialista Eduardo Campos (PSB). Teve de tudo menos celebrar o aniversariante.
Nas cerimônias locais, a desorganização da Prefeitura foi tanta que personalidades ligadas a história do frevo foram esquecidas e até convidar morto aconteceu (o escritor Waldemar de Oliveira e esposa) para o evento de entrega da placa comemorativa – o casal não compareceu ao evento, por motivos óbvios.
O camarote da prefeitura foi só mordomia. Uísque Red Label, serviço de pratos quentes e salgadinhos produzidos na hora, cerveja gelada, foi servido até carpaccio, seguido de almoço com camarão e estrogonofe e atenção especial de João Paulo aos convidados e jornalistas, especialmente os de fora, entre eles o pessoal da TV UOL e de revistas de turismo do Uruguai.
Nos palanques, para atrair público, não podia faltar celebridade. Danielle Winits, Gianecchini, Marcos Frota, o casal Fernanda Vasconcellos (a Nanda ) e Thiago Rodrigues (o Léo) da novela, entre outros globais. Como já disse, a conta foi alta, aconteceu tudo, menos frevo.
Também, as indefectíveis bandas Babado Novo e Chiclete com Banana e os novos-velhos baianos Maria Betania, Gal Costa, Moraes Moreira, Tom Zé, etc. (a lista é longa...) até festa com topless que correu solta no show do Rec-Beat. Só nesse evento a prefeitura investiu 340 mil, conhecido pela apologia a drogas.
O governo do Estado gastou R$ 30 milhões e trouxe políticos aspirantes a presidente: os governadores Aécio Neves (PSDB-MG), Jacques Wagner (PT-BA), Cássio Cunha Lima (PSDB) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) com direito as honras oficiais e as farras profanas. Dá pra imaginar o interesse desse grupo na história do frevo?
E, finalmente, o ponto alto foi a festa na casa de Alceu Valença (o maluco beleza) para políticos e artistas, onde a deputada federal Ana Arraes (PSB), mãe do governador, disse a um grupo de convivas que não está nem aí se faz 100 anos que o frevo nasceu ou não. “Pode escrever aí, um centenário de frevo sou eu (60 anos em julho), contabiliza, dando uma sonora gargalhada”.
E viva o frevo!
Foto: folião Olinda, projeto Lambe-Lambe
"O pior não é morrer de fome num deserto: é não ter o que comer na Terra Prometida" (José Lins do Rego)
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