
Sem grana pra viajar, longe de carnaval, decido fazer uma faxina na casa. A primeira providência: coragem. A segunda: música instrumental anos 40, 50, de preferência jazz. Nada que lembre "Mamãe eu quero...". Anos de atraso - coisas inúteis acumuladas e, também, na esperança de descobrir documentos perdidos.
Encontrei de tudo; roupas velhas, fotografias de criaturas que nem lembro mais, cartas, convites, notas fiscais sem valor, cartões de crédito vencidos, ticket de passagens e agendas (umas 10);
Presentes em duplicata, revistas, livros desatualizados, pastas arrebentadas, trabalhos do tempo de faculdade (que nunca consultei);
Cartazes, relatórios, disquetes, botões, suvenir de todas as viagens, camisetas promocionais, colchonetes, tapetes, peças de carro, metal enferrujado, moldura quebrada, entre outras quinquilharias.
Ah! E nas caixas de lembranças com valor afetivo...Rever velhos guardados, revirar gavetas, vasculhar o sótão é um delicioso exercício catártico que, às vezes nos enche de saudade, às vezes nos faz rir das coisas tolas que fizemos - sobrou quase nada... Nunca rasguei tanto papel, e com que fúria! Uma verdadeira tralha guardada por décadas.
Munida de luvas, máscara e um saco de lixo de 100 k entrei de cabeça na hércula tarefa. Só perdi para o desfile do Galo da Madrugada que consegue a cada ano produzir, em Recife, o maior lixo do mundo (no Guinness).
Feita a separação do detonável e do que pode ser doado, é a fase do desinfetante, muita água, sal grosso, defumadores e rumo a faxina propriamente dita. Afinal, vou aturar carnaval por aqui até a próxima quinta.
foto: homokaasu
"O pior não é morrer de fome num deserto: é não ter o que comer na Terra Prometida" (José Lins do Rego)
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