Em uma democracia, é natural que as decisões sejam tomadas conforme a opinião da maioria, expressada através do voto universal e secreto. Entretanto, há certos princípios que não podem submeter-se a eleições, quer seja porque se trate de direitos inalienáveis quer seja por valores transcendentes.
Um crime, por exemplo – segundo Fuerza Solidaria, outra das fontes credenciadas para consulta pelo Diario de América -, não depende da opinião de uma minoria ou inclusive da maioria. Um crime é um delito e ponto. Deve-se impedi-lo, se não se cometeu, ou castigar-se se já foi cometido. Do contrário, não haveria parâmetros para viver em sociedade. O mundo seria uma selva.
A reforma constitucional que Chávez propõe é um crime de Lesa-Pátria porque destrói a Venezuela que conhecemos, para convertê-la em um Estado socialista, à imagem e semelhança de Cuba.
Também é um crime de Lesa-Humanidade porque viola direitos humanos inalienáveis, como os direitos a viver em pluralismo, ou ao devido processo e a estar informado em situações de emergência.
Finalmente, é um golpe à atual Constituição porque pretende reformá-la mediante mecanismos explicitamente proibidos na Carta Magna.
Os que chamam a votar – quer seja a favor ou contra – no referendum de 2 de dezembro, e os que participem de qualquer maneira desse processo, serão cúmplices de crimes que, por sua gravidade, não prescrevem com o passar do tempo. Ademais, não ganham nada porque o CNE comete fraude eleitoral, como bem documentaram os conotados cientistas pertencentes à associação “Venezolanos por la Transparencia Electoral”.
Desta maneira, depois da relação dos fatos, a partir destas duas perspectivas, é inquestionável que para a Venezuela o voto não é uma opção. A única alternativa “honesta e patriótica” é impedir que se leve a cabo o referendum, mediante ações de rua massivas, simultâneas e generalizadas.
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"O pior não é morrer de fome num deserto: é não ter o que comer na Terra Prometida" (José Lins do Rego)
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