Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
A "muça"
(Estou na cidade de São Bernardo do Campo, SP, também conhecida como capital muçulmana no Brasil, hospedada no bairro Vila Euclides bem próximo a Mesquita Abu Bakr Assadik).
Na mesquita, as mulheres não participam do ritual dos homens. Seu espaço é atrás do biombo feito de quatro placas de madeira verde clara. Ela não se sente excluída. Entende sem entender que seu espaço é separado, é de certa submissão. O lenço cobre a cabeça deixando só o rosto de fora. “A mulher tem que se preservar. O cabelo chama a atenção do homem.” Sua amiga chega de cabelos cobertos, mas veste justas calças jeans e All Star preto com ponta branca e listrinha vermelha, aquele tradicional. Tira para sentar no carpete, atrás do biombo.
Elas entendem, mas querem ver. Afinal, as mulheres também são curiosas. O que tem do outro lado? Elas já sabem de cor, mas não se cansam de espiar. Tudo, claro, pra satisfazer a curiosidade das estudantes que “vieram fazer uma pesquisa”. Mas o fato é que tudo que é proibido é mais gostoso. “Eles vão brigar se virem.” Mas já está lá abrindo uma fresta nos biombos. “Tu tem celular com câmera? Tira foto ali pela fresta.” O jeitinho brasileiro dentro da mesquita. A do All Star acha a fresta ainda muito pequena e puxa mais a placa de madeira.
Não podem pintar as unhas, mas pintam. Os olhos são bem maquiados, com delineador e rímel pretos. O rosto é uma das poucas partes do corpo que pode aparecer. O resto deve ficar escondido por preservação da mulher, pra não chamar a atenção do homem. Mas o que está à mostra é valorizado. O que é maquiagem senão uma tentativa de chamar a atenção. É contraditório. Mas afinal de contas, elas são muçulmanas, mas são mulheres. E vaidosas.
Nota: Os católicos deixaram a primeira posição na classificação das religiões perdendo para os muçulmanos, segundo uma entrevista publicada no periódico vaticano “L’Osservatore Romano”. Um total de 17,4% da população mundial é católica, contra 19,2% que é muçulmana, indicou monsenhor Vittorio Formenti, responsável do Anuário Pontifício, afirmando que se trata de um dado sobre o qual é preciso refletir. No entanto, quando se somam todos os cristãos (católicos, ortodoxos, anglicanos e protestantes) a porcentagem alcança 33% da população mundial. EFE
imagem:historiadordoimpossivel.blogspot.com/
Publicado por Blog da Santa às 15:00 |
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De
Star a 12 de Dezembro de 2008 às 21:31
Santa em sampa, sim, porque é difícil para o paulistano separar a grande são paulo, é estranho quando estou em santo andré ou sao bernardo e o pessoal do local diz que quase não vai a sao paulo, como se o abc não fosse sao paulo, pode?
Boa estadia santinha, adorei teu relato, da frestinha da cortina tudo parece ser mais interessante, parecem crianças que a mãe mandou pro quarto para não ouvir a conversa de "gente grande". A mulher muçulmana tem esse mistério, a tutelada, protegida, preservada...
Bom fim de semana,
Beijo
.querida_____Santa
FESTAS FELIZES:)_______MUITA
.PAZ_____para o mundo
.SAÚDE______para todos nós
.MUITO AMOR_____no coração de cada "homem"
.UM GRANDE SORRISO_____no rosto de cada criança
.UM OLHAR PARA CADA IDOSO____e ver uma fonte de sabedoria_______...
._________e que se diga_____
"FESTAS FELIZES" TODOS OS DIAS:))
beijO______ternO
com amizade
Mulher de burca. Exótica, misteriosa,estranha,... Mais estranho ainda encontrá-las pelas ruas da pacata São Bernardo.
Santa,
Mas onde você foi parar!!. Como está o clima por aí?. Aqui em Recife estamos beirando os 35 graus.
Boas férias!
De
DO a 15 de Dezembro de 2008 às 08:05
Pelo jeito o rigor das religiões está sendo ,convientemente,deixado de lado.É o jeitinho brasileiro,rss
Beijos,Santa!!
Santíssima!
Que bela crônica! Parabéns!
Essa isenção, essa leitura do fato, da imagem, distante de julgamentos fascistas ocidentais.
O entendimento que culturas são diferentes e não por isso piores ou melhores é raro em nossa civilização. Tendemos à crítica, sob nosso prisma, nunca sob o caleidoscópio multicultural.
São Paulo propicia o entendimento disso, pelo convívio que se tem de tantas culturas.
Interessante o link que se cria entre os dois posts: de um lado a miscigenação, o transculturalismo das grandes metrópoles; de outro, uma região sujeita ao conflito pelo olhar delirantes de alguns.
Imaginem se no Pantanal, décadas atrás, alguém dissesse que deveriam separar os povos. O que teria acontecido com o MS e o MT, estados onde surgiu o pantaneiro, esse brasileiro novo, que convive em harmonia com a natureza e com as semelhanças garimpadas nas diferenças.
De
Zé a 15 de Dezembro de 2008 às 13:38
Além do jeitinho (adorável) braileiro espero, sinceramente, que vc não seja surpreendida em suas férias, não por muçulmanos, mas pela desagradável família Silva, que por aí aporta.
Textos ácidos e sarcásticos, pra quem quer ficar por dentro dos assuntos políticos e dos últimos acontecimentos de forma leve.
www.mosaicodelama.blogspot.com
Boa leitura!
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Santa,
Que deus a livre de encontrar em São Bernardo com o "coisa ruim" numa daquelas (embora raras) passagens dele pela cidade em festinha de família.
De
Ozéas a 16 de Dezembro de 2008 às 14:11
Que coisa em!
Enquanto ouvimos estórias do avanço ocidental, de nossa cultura dominadora etc., vem o mulçumano e mostra sua força conquistando cada dia mais espaço.
Das duas uma, ou esses dados de crescimento dos mulçumanos pelo mundo estão furados, ou é nossa propaganda ocidental que é muito boa e estamos sendo redondamente enganados.
Bjs
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